| Bertand Picccard na Tentativa de novo Record |
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| Por Miguel Leiva | |
| 04 de fevereiro de 2009 | |
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A volta ao mundo em 25 dias BKW/FMB Energie SA A nova odisséia aérea decolará em 2011 de Payerne, cidade próxima de Lausanne. Piccard revezará o manche com André Borschberg, de 56 anos, um empresário e ex-piloto da Força Aérea suíça. Serão 25 dias de vôo pelos cinco continentes, dividido em cinco etapas de cinco dias cada uma – o tempo máximo que um piloto pode permanecer confinado numa claustrofóbica cabine de 1,5 metro quadrado. Piccard quer demonstrar o potencial inesgotável da energia solar. “Minha volta ao mundo no balão ergueu uma onda de entusiasmo. Esse tipo de sentimento é necessário para conscientizar a humanidade dos desafios a nossa frente. Quero mostrar o que se pode fazer graças às energias renováveis”, diz Piccard. “Como é quase impensável que a população mundial aceite reduzir seu padrão de vida, é imperativo desenvolver equipamentos que consumam menos. O Solar Impulse será nosso embaixador nesta empreitada.” É um tremendo desafio de engenharia aeronáutica. Nunca se construiu um avião tão grande e ao mesmo tempo tão leve. O Solar Impulse terá uma envergadura de asas de 80 metros, 20 centímetros a mais que a do Airbus A380, o maior jato de passageiros. Por outro lado, o A380 pesa 275 toneladas, mas o Solar Impulse não poderá ultrapassar 2 toneladas. A energia para alimentar suas quatro hélices e deslocar o avião numa velocidade média de 70 quilômetros por hora será coletada por 250 metros quadrados de células fotovoltaicas sobre as asas. Como o Solar Impulse voará 24 horas por dia, metade da energia coletada durante o dia será armazenada em baterias de 450 quilos, para ser consumida à noite. Uma estratégia para minimizar o consumo é subir a 12.000 metros de altitude ao raiar do dia e descer para 1.000 metros ao pôr do sol. O ar mais denso das baixas altitudes reduz a velocidade de vôo e, portanto, o consumo de energia. Essa alternância de altitude submeterá a aeronave a uma enorme variação de pressão e de temperatura, que irá dos 80 graus célsius positivos aos 60 graus célsius negativos. Uma equipe de 35 pessoas constrói em Dübendorf, perto de Zurique, uma versão reduzida do avião, com envergadura de 61 metros. O protótipo não terá cabine pressurizada e seu teto de vôo será de 8.500 metros. “Os testes de vôo começarão em 2009”, diz Borschberg. “A primeira grande missão será um vôo de 36 horas. Vamos voar um dia, uma noite e um dia para otimizar o projeto do segundo avião.” Quando o Solar Impulse ficar pronto, em 2010, os pilotos farão dois vôos preliminares antes da volta ao mundo. Um vôo cruzará os Estados Unidos de costa a costa. “O outro repetirá a façanha de Charles Lindberg ao cruzar o Atlântico em 1927, só que movido a energia solar”, afirma Piccard. Lindberg completou o trajeto entre Nova York e Paris em 33 horas. Piccard levará 120. O piloto se sentará sobre um assento higiênico e se alimentará com comida liofilizada, como fazem os astronautas. Para se habituar ao confinamento de cinco dias numa cabine minúscula, Piccard e Borschberg realizam vôos virtuais de 25 horas. “Não sei como farei para dormir e me manter alerta”, diz Borschberg. O simulador é para conhecer o funcionamento da aeronave sob as diversas condições meteorológicas. “Quando simulei uma viagem entre o Havaí e Miami, tive de pousar no Arizona, porque havia uma grande tempestade no Golfo do México”, diz Piccard. O maior desafio da aventura é que o avião só consegue voar com boas condições meteorológicas. “Se enfrentarmos um vento frontal à noite, o vôo noturno será mais longo e as baterias podem não agüentar”, afirma Borschberg. Para minimizar riscos, a rota da volta ao mundo seguirá o Trópico de Câncer, evitando as tempestades tropicais. O vôo será nas três semanas em torno do solstício de verão no Hemisfério Norte, em 21 de junho, quando as noites são mais curtas. A estratégia visa maximizar a exposição à luz do Sol. O projeto de US$ 100 milhões é patrocinado por empresas como a Solvay, Omega, Deutsche Bank e Dassault. “É uma aventura quase impossível, que ninguém jamais ousou tentar. Pilotar um avião de 80 metros não é coisa fácil. Ainda por cima se for movido a energia solar e voar 24 horas por dia”, afirma Piccard. “É uma tentativa de atingir o vôo perpétuo. É uma grande epopéia aérea.” Por que Bertrand Piccard decidiu ser aventureiro? “O que mais me influenciou foi o espírito de meu pai e meu avô com relação à vida. Se havia algo para ser explorado, eles o faziam. Quando quiseram conhecer lugares onde ninguém jamais esteve, construíram um balão estratosférico ou um submarino”, afirma. “O objetivo principal nunca foi bater recordes, mas explorar o desconhecido. Meu pai e meu avô me transmitiram essa paixão.” VÔO DE EXTREMOS Nunca se projetou um avião tão grande e tão leve. Com envergadura de asas de 80 metros, o Solar Impulse pesará 2 toneladas. Já o Airbus A380 (no detalhe) tem envergadura de 79,80 metros, mas pesa 275 toneladas Entre os 10 e os 12 anos, Piccard viveu na Flórida e assistiu a seis lançamentos do Projeto Apollo. “Meu pai conhecia astronautas, mergulhadores e exploradores de todo o tipo. Tinham existências extraordinárias. Eram os heróis da minha infância.” Ao conhecê-los, o menino descobriu que não eram malucos, mas gente com sonhos e ideais. “Sempre achei que podia ter uma vida como a deles. Quando a oportunidade surgiu, agarrei-a.” E o que torna alguém aventureiro? “Não sei se é possível decidir uma coisa dessas. Todas as vezes que tive de escolher entre permanecer com minha segurança e arriscar o novo, optei pelo novo”, diz Piccard. “A primeira vez que vi uma asa-delta, eu a experimentei e me tornei campeão europeu. Quando fui convidado para participar do Chrysler Challenge, uma corrida transatlântica de balões, em 1992, aceitei o desafio, treinei e venci a corrida. Foi quando pensei na volta ao mundo num balão.” As duas primeiras tentativas de circu-navegação sem escalas, em 1997 e 1998, fracassaram. Piccard conseguiu na terceira, em 1999. Ele recorda as três semanas que viveu nos céus. “Era levado pelos ventos, viajava na velocidade das nuvens e via todos os ciclos da natureza diante de meus olhos: pequenas nuvens crescendo no meio do dia para desaparecer com a chegada da noite. A aurora, o crepúsculo, oceanos, desertos, continentes, era maravilhoso.” Quando os queimadores estavam ligados, só se ouvia seu barulho aquecendo o balão. No resto do tempo, o silêncio era total. “Viajávamos com o vento. Era surpreendente. Sinto falta daqueles momentos. Mas não se pode viver sempre daquele jeito.” É verdade. Mas, de vez em quando, por que não? Uma diretriz que Piccard procura seguir à risca foi herdada do avô. Depois de subir à estratosfera, em 1931, o velho Auguste disse: “A questão não é saber se o homem consegue ir além e povoar outros planetas. O importante é descobrir como tornar a vida na Terra melhor”. É por isso que seu neto afirma: “Ninguém pense que vou construir um batiscafo para ser o segundo homem a descer na Fossa das Marianas. Em vez de repetir o feito de meu pai, prefiro iniciar algo novo, como o Solar Impulse.” |
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